JOVENS NEGROS: BRASIL É DENUNCIADO POR GENOCÍDIO À ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS
Um jovem negro é assassinado no Brasil a cada 23 minutos. Esta é uma das constatações do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assassinato de Jovens, do Senado, finalizado em 2016.
“No período analisado (2004 a 2014), houve um paulatino crescimento na taxa de homicídio de afrodescendentes13 (+18,2%), ao passo que houve uma diminuição na vitimização de outros indivíduos, que não de cor preta ou parda (-14,6%)”, afirma o documento.
O relatório fundamentou uma denúncia contra o Estado brasileiro à Organização das Nações Unidas, formalizada pelo Fórum Permanente pela Igualdade Racial (Fopir), no dia 22 de agosto.
A denúncia, apresentada a diversas relatorias do Conselho de Direitos Humanos da Organização, foi divulgada na última quarta-feira, dia 29, que marca o aniversário de um ano do Fórum.
O objetivo da decisão tomada pelo Fopir é de gerar pressão internacional para que sejam adotadas políticas de enfrentamento aos problemas de violência cometida contra a população negra brasileira.
O Nordeste apresenta índice crescente de homicídios de negros a cada 1000 habitantes. O Maranhão é o terceiro entre os que apresentam maiores taxas. Apenas o estado de Pernambuco apresenta queda neste índice.
O relatório aponta ainda que número toral de assassinatos cresceu em 244,3%, pois passou de 699 em 2004 para 2407 em 2014. Em 2004, o percentual de negros assassinados era de 13,3%, a cada 100 mil habitantes. Em 2014, passou para 38,6%.

Hélio Santos (Baobá) e Daniel Teixeira (CEERT) em Mobilização Contra o Genocídio da Juventude Negra\FOPIR)
Créditos: Marcia Farias
Hélio Santos, do Instituto Baobá, avalia: “Entre os 10 mais ricos, o Brasil é o único de maioria negra. É uma situação avassaladora. A palavra genocida também cabe se pensarmos no impacto demográfico: são 23 mil homens [assassinados por ano], com idade entre 12 e 29 anos. Homens que ainda não procriaram. Durante 10 anos, são menos 230 mil pessoas".
O relatório é um indício de que o próprio Estado já reconhece a situação de violência no país como um genocídio, já que, ao analisar a Taxa de homicídios por 100 mil habitantes de negros por Unidade da Federação, constata: “a vitimização é proporcionalmente maior para a população negra em quase todas as unidades federativas do país, com exceção de Roraima e Paraná”.
Relatório disponível AQUI



















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