ENEM 2017: TEMA DA REDAÇÃO REPERCUTE ENTRE CANDIDATOS E INTERNAUTAS.
O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM 2017) movimentou os domingos dos dias 05 e 12 de novembro no Maranhão, que contou com 286.168 inscrições confirmadas de candidatos de 79 municípios, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP).

Saída dos candidatos no segundo dia de prov
a, no bairro do João Paulo, em São Luís
Créditos: Joelma Baldez
Logo no primeiro dia, a prova de ciências humanas desafiou os candidatos com referências a Rawls, Hegel, Habermas; a de linguagens com questões contextualizadas em diversidade de gêneros e com um tema de redação que girou em torno de direitos humanos: “Desafios para a formação educacional dos surdos no Brasil”. No segundo dia, a prova de matemática e ciências da natureza apostou na profundidade de conteúdos. Mas foi a prova de redação que mais repercutiu, dividindo opiniões.
Para Rosinélia Freitas, autônoma, que deseja cursar Direito, o tema não foi fácil, nem foi difícil, basta que as pessoas se expressem e não fujam da temática. Já para a estudante Ingrid Boaes, que deseja cursar medicina, o tema é bem complexo porque “apesar de estarem assegurados na Constituição os direitos dos surdos da pessoa com deficiência, na prática isso ainda é muito frágil [...], cabe ao Estado, ao sistema educacional, implantar profissionais qualificados dentro das escolas.”
O tema da redação foi proposto em um contexto já desafiador, tendo em vista a polêmica que levou o Ministério da Educação a abolir a regra que atribuía nota zero à redação que ferisse os direitos humanos, por decisão do Supremo Tribunal Federal. O desafio reside no fato de que, por si só, o tema já evoca a inclusão e o respeito à diversidade.
O candidato Mauro Pereira, inspetor de segurança, considera que uma abordagem como essa “é de suma importância, para a sociedade esquecer essa questão de discriminação e inserir todos”. Ingrid Boaes também é enfática: “Se os direitos humanos está na Constituição, eu acho que nada pode desobedecer ou ultrapassar isso, a nossa liberdade de expressão, inclusão, dignidade.”
O tema também repercutiu nas redes sociais, chamando atenção para o papel do Estado e de outros setores da sociedade.



Liane Souza, presidente do Centro Dialético de Pais e Amigos dos Especiais (CDPAE), avaliou a escolha do tema como promotora de visibilidade da pessoa surda: “Só veio provar que excluídos estamos nós nesse contexto, porque ainda não vemos as pessoas com deficiência como pessoas como cidadãos com protagonismo ainda nos vêem como "incapazes" doentes. Foi bom demais porque pelo menos mais de seis milhões de pessoas falaram de um assunto ou com preceito de intolerância ou com amor”
O número de maranhenses inscritos corresponde a 4,25% do total de participantes em nível nacional, 6.731.344. no primeiro dia ocorreram 28,2% de abstenções e no segundo 29,7%. Houve maior concentração de candidatos nas cidades de São luís, que apresentou 101.000 inscrições, seguido de Imperatriz com 23.770 e Caxias com 10.257.
O estado contou ainda com 1.235 atendimentos especializados, contemplando casos de deficiência física, baixa visão e deficiência auditiva. Foram disponibilizados 2.387 recursos de acessibilidade, sendo 56 videoprovas traduzidas em Libras, uma novidade da edição, coerente com o tema escolhido.



















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